terça-feira, 15 de outubro de 2013

sem som

Era filha dos pássaros e daquilo que podia ser definido entre uma palavra e outra de amor tenro, ainda desconhecido. Vivia com cartas à deriva, que eram mantidas em um tanque grande de pedras, circular, depositário de todas as vidas e mortes que criava em sua mente e destruía com seu coração, dizimados periodicamente pela força de seus dedos que rasgavam e rasgavam, servis. Nessa realidade insolente e insana, mundana, valente, muda, reconhecia toda a complexidade de ser parte vento - sem pés ou rotas pré estabelecidas - assim como uns 60% divindade ainda não reconhecida ou cultuada por povo qualquer - por isso tudo e por isso mesmo, guardava um potencial agigantado dentro de si, algo próximo a uns mil cataclismas em botão. Era preciso reconhecer: a delicadeza jamais fora o seu forte. Nessa sua realidade, apenas pisava em letras e as tinha como alimento para o seu sono.

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