segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

coque (ou rainha dos subterrâneos)

subia a escada rolante. em uma escalada nada doce, nem social. pensando na satisfação de manter sobre a parte superior / traseira da cabeça um volume arredondado, no formato de duas circunferências retorcidas.

imaginava os passantes admirando sua protuberância capilar, escultura de duendes, enquanto desciam, em sentido contrário, pela escada rolante ao lado.
 
criativa, esse era seu pré-paliativo móvel para o fato estático de não ter nascido negra de turbante, árvore de copa e ninho, rainha de copas e estandarte, homem rastafári.

por tudo isso, adorava o objeto sustentáculo de sua manifestação (que já não era mais obra de arte) suspensa: uma piranha francesa, feita de plástico 90% inquebrável, com a capacidade de manter fios lisos em um emaranhado cafuso, lá no alto, desenhado em formato de oito, ou, para os que quiserem, uma coisa semelhante ao símbolo do infinito. rainha do subway, ou apenas, da mãe, filha. são muitas as possibilidades oferecidas pelo mundo.       
 
 

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