sábado, 25 de janeiro de 2014

um sensor, um corredor de prédio, uma moça

uma luz de corredor que não parava de ficar acesa. foi intrigada olhar pelo olho mágico da porta, checar se havia algum intruso debaixo do sensor. mas, nada. só reconheceu  uma ausência na imagem abobadada-fisheye. sentiu terror à instância máxima. um estremecer na renda da barra da saia de lingerie. pode o nada ser captado por sensores? havia um ou vários nadas naquele corredor de prédio? e se um vizinho passasse por ali, o nada permaneceria? se ela mesma abrisse a porta, o nada escaparia pra dentro do seu apartamento? não seria de todo mal, pelo menos a luz do corredor acabaria e ela teria um pouco de paz. que o nada ficasse por uns tempos na sua casa. ela só teria que fazer sala para o nada. fazer sala para o nada é algo inedito. fora que o nada traz consigo algumas vantagens, como não ocupar espaços, não apagar velas, não interferir na programação da TV. o nada é bastante quieto. ele não tem frescura.
 
[foi aí que ela se sentiu mágica. como se tivesse despertado o terceiro olho (ou chackra frontal), sofrido uma iluminação pontual. abriu a porta e saiu para ver no que é que dava. deu cinco passos, parou bem debaixo do sensor: a luz apagou].

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