quarta-feira, 28 de maio de 2014

convite


Beba uma dose de sódio, uma dose de álamo. Um som de cruz invertida que habita o negro dessa minha saia acetinada a dentes cerrados. A chama de quem se cala Cesárea; de pai, vírgula; de mãe, aspas; de irmão, ferrão, bordoada. Circunflexa, eu me clamei Virgínia, virginal nada, vago em marés escuras, puídas. Do poço, sou enguia virada no azul luna. E variada, nas ovas, de ninharias, humores rasos, grampos, moedas escondidas nas dobras, rouge, além de cartas para prever desejos de ressequidos e homens. O pente de prata prende o cacho que será desfeito, creio. Pra que eu possa me desenrolar. Me sacudir, a agitar as saias até fazer a música não parar de tocar. Baile máscara, guache carmim na boca, que na foto parece negra. Se fosse mesmo assim, aí eu teria uma língua de fogo. E demoliria lares com o olhar. Ouro nos dentes para emoldurar uma língua bonita de Kali. Um estrondo agudo trincaria o copo, corre absinto, muito eu tenho mesmo e assim, maré de verdes azuis seria o meu corpo e os pensamentos, insanos-insones. 

Vinde a mim, mi fa sol lá si, caixa de madrepérola e turquesa nas mãos, eu faria um sinal de ‘aproxime-se’, você pareceria manipulado, ‘olhe aqui dentro’, mas sua vontade seria chegar até só a beira da praia, molhar os pés na incandescência, para somente então entregar-me tripas e a cabeça. A fome é minha, mate-a, mas antes beba só um pouco disso aqui.   

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