quarta-feira, 14 de maio de 2014

duas e o tempo

Veio e voltou o tempo em que guirlandas eram as danças que executavam juntas, assim como as reentrâncias, da carne que lhes era propriedade e direito. Phillipo para o dia, Jessicomo, para a noite que está no dia, eram essas as personagens que escolhiam viver. Ternos para meninos e chapéus sobre a pele de quenturas e tenras, mulheres em formação, personas em solidificação, embora gasosas, mais de ímpetos a serem alcançados em instantes de vontade conjunta do que a projetos em papel, pedraria. Para as águas vertidas, imaginavam campos de guerra, as feridas sangrentas como sua motivação primeira, não a inutilidade de luas que se vão e se põem entre pernas, metades suas, metades duas, diárias. Não eram dadas a essas matemáticas e biologias, escolhiam ser ficcionistas, sem qualquer palavra escrita. 

Coroadas deidades, ajustavam as horas e os ritmos, somavam-se à valsa, sorviam-se em liteiras, sumiam para em instantes reaparecerem, no ópio e na bruma, corpos dissipados em perfume âmbar sobre a pele pálida. Carmim eram as bocas e as flores, os interiores e sílabas de difícil compreensão, mas de fazer todo o sentido quando proferidas. Faziam o escuro da noite, nesses seus dias. Ao separarem-se, eram aurora, alvorecer  e multicores. Trinta luas foi o que duraram, juraram escrever cartas até que deste tempo tão particular viesse o fim, mas seus corpos já continham palavras demais, escritos, manuscritos, eram como que livros as duas, e se amaram, como só.       


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