terça-feira, 17 de junho de 2014

aguardente (ou frustração)

Uma pulsação em linhas graves de contrabaixo causou interferências nas minhas cheias, fez com que eu me sentisse em um fundo de mar de cores que não dava pra ver no escuro dominante, mas elas ditavam as frequências magnéticas, os interditos do lugar e suas respectivas pluralidades: eu estava sacudida pela sua suntuosidade de catedral gótica, sentida.

A mim, foram trazidos por uma onda: (1) o senso de inadequação; (2) a incapacidade de me expressar verbalmente (3) e/ou de estabelecer diálogos de ordem conciliadora. Foi quando desaprendi a falar e a ouvir - agi como se pés tivessem, de fato, prioridade às mãos - inconsciente dos meus contornos, de alma atonal, cabelos flutuantes em um tempo seco, aquática nas formas breves, mulher e incapacitada.


Não houve resposta vinda do mar ou em garrafa de rolha qualquer mensagem. Eu estava muda e também não sabia emitir sinais, fui atuante quando devia ter me calado, ativa na hesitação, intensa mas sem chama de calor, desafogada, anônima. Eu queria que fosse epifania de Florence and the Machine, mas tudo não passou de uma rapsódia de Brahms.

Na secura das areias, não ouve concha, pérola, nem prêmio, mas aspereza, só a lembrança de uma íris que me pareceu aquática unicamente pela atuação do raio de um sol que bateu. Não houve rito, não houve espaço, rota, continuidade, confluência. A morte conduziu o caminho, rareou o que já era estreito, fez de epopeias, monossílabas. Fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário