sexta-feira, 11 de julho de 2014

balanço de um rito não muito bem sucedido

Choviam notas xamânicas. Penas dos orixás nos toques rendondos. 
Plumb, plumb, plumb, para o coração relado. 
As chamas coloridas pelos tocos das velas de cento e noventa e quatro dias. 
Precipício, crepúsculo, pai Antônio, cobra coral aos pés, e era rápida, listrada ela. 
Para comer depois do rito, flores e frutos, água da mina aplacava as visões. 
Do suor, a tenda rezada, palavra náusea, plausível, gota, risível, racha. 
Mil e uma visões eu ri. 
E pulei de astro em pedra, jagunço sem cinta, liga, peguei o carro na estrada miúda, cerrada. 
Fui que fui, a cento a oitenta graus por hora arremeti contra o espelho. 
No ar, parei no meio, em legítima suspensão Matrix mas sem roupa de látex negro. 
A onça pintada virou-me os olhos pra dentro. 
De ouro, eles viram pepitas encravadas nas minhas vísceras. 
Rico, eu rei. 
Raptado, a verdade menti. 
Pústulas nas flores murchas, pus. 
Pari, parti, patriarcado, proletariado, picto. 
Tudo em uma noite, um cocar de luz, aldeia das sete ondas, triste, chefe das sete contas, ralé das boas e aprendiz, com menos 250 reais na carteira, voltei pra São Paulo pela Rodovia Fernão Dias. 
    


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