quarta-feira, 15 de outubro de 2014

2 mil toques

Por dias fico fértil, me transformo em uma incubadora de histórias que precisam ser  vividas em algum recôndito interior pra que então possam tomar a forma de palavra como um último gesto.
O ritmo da minha escrita, da narrativa, obedece aos ciclos do tempo e do dia. Quando o sol está alto, surgem os começos, as intenções. Já o desenrolar, a trajetória dos personagens e o desenvolvimento de seu mundo interior muitas vezes se dão com maior facilidade à noite, e, se estou com sono, melhor. No lusco-fusco das ideias objetivas, fico mais aberta pra soluções criativas, desenlaces menos óbvios, continuidades que fazem mais sentido e obedecem às minhas regras interiores de germinação, que, ao menos em parte, são por mim (re)conhecidas e costumam aflorar nas horas escuras.

É quando penso com clareza, inocência, até. Certas coisas simplesmente fluem sem o juízo e a autocrítica típicos do estado de “extrema” vigília, em um fluxo de entorpecimento que favorece a consciência. E, no meio disso tudo, há ainda a sedução que as palavras exercem. Delas, fico refém; em uma relação de dominação consentida que resulta em criação ativa.

Ou seja, não tenho horários rígidos pra sentar e escrever, a liberdade que eu preciso dificilmente entraria em acordo com uma rotina fixa, embora, com o passar dos anos, eu saiba o quanto a convivência intensa com os universos por mim criados e o trabalho contínuo são determinantes para conseguir chegar em algum lugar. Em resumo, é um processo que pode ser extremamente  prazeroso, mas ainda assim, não deixa de ser trabalho duro, e dos bons. http://bit.ly/1sMttgn

http://bit.ly/1sMttgn

Cristina Judar é escritora e jornalista, de São Paulo. É autora de “Lina” (Estação Liberdade - 2009) e “Vermelho, Vivo” (Devir - 2011), ambos ganhadores do ProAC de HQ - edital da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Também mantém o blog de ficção “Luminescências nas Pickups (http://cristinajudar.blogspot.com.br/)” e é autora de “Quatro”, história selecionada para o projeto “Inverna - ficção gráfica brasileira de autoria feminina”. Pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP, escreve para várias publicações, entre elas, a Revista da Cultura, Revista Vida Simples e o site Reversa Magazine. Seu livro de contos ineditos “Roteiros para uma vida curta” recebeu Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura – 2014.    

2 comentários:

  1. Cristina, fui saber do teu trabalho por este texto no "dois mil toques" e fiquei encantado pelo teu blog. Enquanto não dou um jeito de adquirir um de seus livros, vou curtindo aqui já que tem muita coisa pra ler. Parabéns pela escrita e sobretudo por esses personagens lindamente estranhos que você apresenta.

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  2. Oi Rodrigo, fico feliz com sua leitura e comentários. Seja muito bem-vindo neste espaço. Um abraço e obrigada pelas palavras. Cris

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