sexta-feira, 10 de outubro de 2014

bolsas, boinas e bolas

Naquela noite, vazei devido ao estado de apoteose múltipla. Surda de sins. Deslizante em regras estabelecidas. Detesto grupinhos. E homens mal-humorados que se juntam para falar mal dos outros. Para olhar feio para as moças. Para analisá-las quando viram de costas, como se a parte de trás de seus corpos fosse a única coisa na qual valha a pena deitar os olhos. Eles dão a desculpa de fazer poesia, mas só querem sair do sofá de casa para se sentarem em outro sofá. Saem para respirar um ar, enquanto contaminam o mundo com aquela cara de serpente que se move rápido pelo mato. Declaram-se anjos, os caídos.


As letras certas são as suas letras. As letras respeitáveis, as de seus compadres. Arrotam antiguidades vestindo boininhas. Ostentam bolsinhas a tiracolo e as coçam, fazendo-os de sacos. São do clube de bolinhas murchas. De bolinhas furadas. Pintadinhas. Grisalhas. Leem seus poemas com veemência falida. No quase morte, forçam-se para roçar em alguma criatividade. Lambem-se em elogios quase eróticos. E tentam convencer o mundo de que, a bem da verdade, estão reunidos ali apenas para tentar pegar alguma pobre de uma mulher. 

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