sexta-feira, 10 de outubro de 2014

farmacocinética

Em mim mesma, dei uma voadora. Dei uma de alada. Fui ao sétimo céu. Foram dezessete anos bem vividos no firmamento. Depois conheci aquela freira que ferrou com a minha existência. Que me fez ter pés. Louca, ela. Sacerdotisa das invertidas.

Eram vários os fármacos que ela ingeria diariamente. Dez, ao todo:

(1)          Cloridrato de ranitidina.
(2)          Naproxeno sódico.
(3)          Magnésia Bisurada.
(4)          Dipirona sódica.
(5)          Cafeína.
(6)          Cloridrato de propranolol.
(7)          Hidróxido de magnésio.
(8)          Simeticona.
(9)          Bromoprida.
(10)        Butilbrometo de escopolamina.

A cada conta do rosário que passava pelos dedos, ela murmurava um dos nomes acima. Os alunos juravam que estava rezando. E, de fato, estava. De minha parte, nunca mais voei, nem. O chão, sua diferença e horizontalidade, foi tudo e apenas isso o que me restou. 

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