terça-feira, 25 de novembro de 2014

diário (parcial) de uma terça feira de cinza líquida

Glândulas de sono gotejavam os meus poros, pluridivididas e individuais. Canônicas e maciças. Monocromáticas, noviças com seus chapéus de origami feitos por mãos do Brasil. 

Fui na graça alcançada. Jantei à mesa. Retornei aos cacos. Dois, três, quatro dedos de água em cada copo para criar a melodia orquestral inaudível. Viralizada, caso fosse magnética. Melodia percutida com os nós dos dedos e as costas da colher. 

Dei aos costas ao dia. Pinguei, deitada. Só era a chuva e um ônibus da zona norte queimado. Amanhã, avião cairá na Paulista, uma catástrofe que o profeta sem barba longa registrou em cartório. 

Fiquei cansada de ser chamada para coisas chatas. Gente que faz perguntas demais é porque é oca por fora. Vampirinho que não saiu do armário. E dá risadinha com os dentes podrinhos. Não sabe fazer um bife, um feijão, uma oração pra sair da esquisitice. Daquela esquistossomose conceitual de quem não pisa em rio, seja ele de água dura, mole ou depredada. Tanto bate até que. Gente de vida morta. Longe de mim.   

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