sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

o beco é o cu do bairro


Era só um beco. Um beco aos berros. De teto, de frente, de costas e de reto, isento. 

Irmão de corredores, nos arredores ele é sempre mal visto. Redentor de lixos, gatos. É sempre noite o dia. Tem sempre um cartaz rasgado, virada a lata, uma e meia poça, um vibrador gasto. O beco é um tanto quanto clichê. E se nele há um bêbado, já o chamam de Bukowski. O beco é um espaço de equívocos. Embora fique lindo em fotos, melhor ainda se forem em PB. O beco, se fosse pessoa, adoraria chamar atenção. Dessas que ficam caídas pelos cantos, despachadas em sofás bege. Toda casa já teve, tem ou terá um sofá bege. Do qual sentiu, sente ou sentirá vergonha. E sobre o qual joga uma manta indiana. Os sofás bege nasceram pra brilhar, assim como os becos e as pessoas caídas nos cantos. Em cada beco mora um Michael Jackson ainda não desabrochado. Sob cada manta indiana habita um sofá bege de envergonhar famílias. Todo mundo passa por ele, mas finge que não o vê. Por ele, tem sempre um medinho e uma certa atração. 
O beco é o cu do bairro.

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